Certo domingo, no terminal rodoviário de Pontevedra, na Argentina, alguém encontrou um ônibus estacionado com as chaves na ignição. E, em vez de roubá-lo e fugir, fez algo muito mais estranho: vestiu a camisa da empresa, ligou o veículo 404 da linha 236 e começou a dirigir como se fizesse isso há anos.

Ele pegou passageiros em todas as paradas. Seguiu o trajeto de memória, trecho por trecho, até Morón. Chegou a carregar uma ficha de controle falsificada, que preenchia com toda a seriedade enquanto dirigia. Também tinha uma faca entre seus pertences, embora nunca tenha chegado a usá-la.

A encenação continuou até que ele bateu em outro veículo da mesma linha 236, na esquina das ruas Eva Perón e Santo Domingo, bem em frente à 4ª Delegacia. O outro motorista não o reconheceu e comunicou o ocorrido. Quando a polícia o tirou do ônibus, o jovem de 19 anos não resistiu: apenas disse que queria realizar seu sonho de se tornar motorista de ônibus. Agora, a Promotoria de Morón nº 2, chefiada por Fernando Capello, avalia se ele é penalmente responsável do ponto de vista psiquiátrico.
