Sandra Bullock colocou assim: «a pessoa que eu amava já tinha partido muito antes do corpo».
Seu companheiro, Bryan Randall, morreu em agosto de 2023, após três anos com ELA. Mas ela começou a viver o luto por ele quatro anos antes. Enquanto ele ainda estava ali, sentado ao lado dela, ela já sentia sua falta.
Existe um luto que não espera pelo funeral. Ele começa quando a doença gradualmente leva embora os gestos, as palavras, as rotinas compartilhadas. O corpo ainda está presente. A pessoa que você conhecia, nem tanto.

Bullock comparou isso a estar em uma esteira rolante: você não escolhe avançar, o tempo simplesmente empurra você adiante, e não há como descer.
Milhares de pessoas que cuidam de alguém com uma doença terminal vivenciam a mesma coisa. Você abraça quem está ali. Sente falta de quem já não está completamente ali. As duas coisas ao mesmo tempo, sem contradição, mesmo que pareça impossível.
Talvez seja por isso que algumas despedidas não começam no enterro. Elas começam muito antes, em silêncio, na primeira vez que alguém pensa: Sinto sua falta, e ainda posso segurar sua mão.

