Abdul Halim al-Attar caminhava pelas ruas de Beirute com sua filha Reem dormindo em seu ombro. Ela tinha 4 anos. Enquanto a carregava, ele oferecia canetas aos carros que passavam sob um sol que não poupava ninguém.
Alguém tirou uma foto. Era o verão de 2015, e aquela imagem percorreu o mundo.
Em Oslo, um jornalista chamado Gissur Simonarson viu a foto e não conseguiu simplesmente seguir em frente. Ele lançou uma campanha no Indiegogo com uma meta modesta: 5.000 dólares para aquela família. Três meses depois, a campanha havia arrecadado 188.685 dólares. Quase quarenta vezes mais do que ele havia pedido.

Al-Attar é palestino, nascido no campo de refugiados de Yarmouk, perto de Damasco. Lá, ele trabalhava em uma fábrica de chocolate antes que a guerra o obrigasse a fugir para o Líbano.
Com o dinheiro, ele abriu uma padaria no bairro de Ared Jaloul. Depois veio uma loja de kebab. Em seguida, um pequeno restaurante. Hoje, ele emprega 16 refugiados sírios que, como ele, chegaram a Beirute sem nada.
Ele mudou seus filhos do único quarto que compartilhavam para um apartamento de dois quartos. Seu filho Abdullelah, de 9 anos, voltou à escola depois de três anos sem pisar em uma sala de aula. Reem agora tem seus próprios brinquedos.

«Quando Deus quer lhe dar algo, você recebe», disse al-Attar com um sorriso enquanto preparava um sanduíche de frango para um cliente.
O caminho não foi fácil: as taxas bancárias ficaram com parte do dinheiro, e ele ainda espera pelo restante. Mas todas as manhãs ele abre sua padaria e dá trabalho àqueles que, como ele um dia, não tinham para onde recorrer.

