

Toñi navega pelo Estreito de Gibraltar há quase 60 anos. É conhecida como «a avó»: é a orca mais longeva de uma população que mal ultrapassa os 40 indivíduos em todo o mundo.
Investigadores da WeWhale e da Iberian Orca Guardians compararam as suas fotografias recentes com o arquivo histórico e encontraram algo que não estava lá antes: dez buracos na sua barbatana dorsal e nas costas. O Atlantic Orca Working Group determinou que nove desses impactos formam um padrão de três filas de três, compatível com os nove chumbinhos de chumbo contidos num cartucho de calibre 12/70, munição usada para caçar javalis. O décimo buraco não faria parte desse padrão.

O Ministério para a Transição Ecológica abriu uma investigação após a denúncia das ONG, e a CIRCE, que estuda esta população desde 1999, juntou-se ao esforço de monitorização. Toñi pertence a uma espécie classificada como vulnerável, protegida por lei, e ainda assim alguém se aproximou o suficiente para lhe disparar. Continua a nadar e a caçar normalmente, mas, à sua idade, qualquer infeção pode ser fatal. Ainda ninguém confirmou quem puxou o gatilho.
