Três espécies de aves de rapina australianas pegam gravetos em chamas com os bicos e as garras para incendiar novas áreas e caçar presas em fuga

Por Rodrigo Martínez
3 August, 2026

No Território do Norte da Austrália, três espécies de aves de rapina — o milhafre-preto, o milhafre-assobiador e o falcão-marrom — fazem algo que nenhum outro animal selvagem conhecido faz: pegam galhos em chamas com as garras ou os bicos e os deixam cair em áreas não queimadas.

O objetivo é preciso. Ao espalhar o fogo, elas forçam insetos, rãs e pequenos vertebrados a sair de seus esconderijos, expondo-os como presas fáceis. O ornitólogo Bob Gosford, coautor do estudo publicado no Journal of Ethnobiology em 2018, descreveu essas aves como entrando em verdadeiro frenesi quando chegam a incêndios ativos. O ex-bombeiro Dick Eussen relatou ter testemunhado o momento exato: um milhafre-assobiador deixando cair um galho em chamas que incendiou a grama perto de Kakadu.

Mais notavelmente, esse conhecimento não é novidade para todos. Os povos aborígenes australianos já haviam falado desse comportamento em relatos como o de Waipuldanya, registrado em 1963. A ciência apenas agora alcançou o que a observação indígena documentou gerações antes.

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