
Fouad Kebdani ergueu a agulha contra a luz e havia algo que ninguém esperava encontrar dentro dela: uma longa mesa, treze figuras e um banquete que mudou a história da arte.
O artista marroquino, nascido e criado em Casablanca, recriou A Última Ceia, a obra-prima que Leonardo da Vinci pintou no século 15 em uma parede de Milão, Itália, dentro do minúsculo olho de uma agulha. Para criar as figuras, ele usou náilon, plástico e resina.

A obra original captura os segundos após Jesus anunciar que um de seus discípulos o trairá, e cada um dos doze apóstolos reage de maneira diferente: com choque, tristeza ou raiva. Kebdani conseguiu fazer essa tensão sobreviver em uma escala quase invisível.

À primeira vista, o espaço parece pequeno demais para abrigar sequer uma única figura. E, ainda assim, a miniatura apresenta figuras com detalhes extraordinários, sentadas ao redor da famosa mesa, cada uma em seu lugar. Trabalhar dessa maneira exige uma paciência extraordinária: uma mão firme, precisão milimétrica e criatividade para enxergar uma tela onde os outros veem apenas um buraco para passar a linha.
Às vezes, grandes tesouros não precisam de paredes enormes, apenas de alguém disposto a olhar de perto.
