Um geneticista alérgico a cães editou o DNA de dois beagles para poder abraçá-los sem espirrar

Por Matías Mora
21 August, 2026
@mattwalkerhi

Matt Walker sempre foi alérgico a cães. Ele também é geneticista e trabalha em uma empresa chamada Kindred Companion Sciences, que se propôs a resolver precisamente esse problema com a ferramenta mais precisa disponível atualmente: CRISPR.

A equipe dele coletou células da pele de beagles e desativou o gene que produz a principal proteína responsável pelas alergias. Esse material editado foi implantado em óvulos carregados por uma beagle substituta, e em setembro de 2024 Alfie e Bailey nasceram, duas fêmeas geneticamente idênticas em todos os aspectos, exceto por isso.

Testaram a saliva e o pelo das filhotes: a proteína alergênica simplesmente não apareceu. Fizeram em Walker um teste cutâneo com extratos de um poodle, de um goldendoodle e das duas beagles editadas. A pele dele reagiu aos dois primeiros. Não a Bailey nem a Alfie. Hoje Bailey vive com ele em Nova York. Alfie vive na Flórida com outra pessoa da mesma equipe científica. Mas, antes de imaginar uma loja de animais hipoalergênicos, há um aviso importante: especialistas independentes observam que esse gene é a principal causa da alergia, não a única, e que levar esses cães ao mercado ainda está a anos de distância.

Foto AP / Mary Conlon

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