Uma fotografia devastadora da minúscula mão de uma criança revelou os efeitos da fome em Uganda, 1980

Por Krishna Medina
28 August, 2026

Mike Wells era um fotógrafo freelancer que trabalhava para a organização britânica Save the Children, documentando a vida na Suazilândia—hoje Essuatíni—e no Malawi. Foi então que uma pequena mudança em seu itinerário mudou completamente o mundo.

Museus de Uganda

Mike decidiu visitar Uganda e, em 1 de abril de 1980, encontrou um grupo de missionários conhecidos como os Padres de Verona, que distribuíam à população os poucos grãos que lhes restavam. Uma seca havia destruído as plantações do país dois anos antes, mas o governo de Idi Amin nunca respondeu. Quando seu regime caiu em 1979, armas ficaram espalhadas, o roubo de gado e a violência aumentaram, e a fome finalmente se instalou.

Naquele momento, um monge apontou para uma criança ugandense de cerca de quatro anos e colocou a própria mão ao lado da mão da criança. Wells ficou tão impressionado com a cena que tirou a fotografia sem pensar na composição. Não havia tempo para isso.

Mike Wells

A mão da criança, tão pequena e tão deformada, mal parecia humana. Essa foi a frase que todos usariam mais tarde para descrevê-la.
A revista que a recebeu guardou-a durante cinco meses antes de publicá-la. Em seguida, sem avisar Wells, inscreveu-a no World Press Photo. A fotografia ganhou o prêmio naquele ano, em 1981.

Fundação World Press Photo – Mike Wells recebe o prêmio por sua fotografia «A criança faminta em Uganda» (1981).

Embora a fotografia tenha tido um enorme impacto e ajudado a mostrar ao mundo a realidade devastadora da fome, Wells nunca quis aquele prêmio. Ele admitiu sentir vergonha: não lhe parecia certo ganhar prêmios graças a fotografias de pessoas morrendo de fome.
Era explorar o sofrimento.

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