Setenta pessoas doentes não tinham para onde ir. Irmã Dulce as levou para o único lugar que lhe restava: o galinheiro do convento onde vivia, em Salvador da Bahia.

Eram os anos 1930. Antes das galinhas, ela já havia sido expulsa de outros dois lugares. Primeiro, tentou casas abandonadas em uma ilha da cidade. Depois, um mercado de peixe vazio. Foi despejada de ambos.
O galinheiro foi a terceira tentativa. Não tinha camas, médicos, nem um centavo. Tinha uma freira de pouco mais de vinte anos convencida de que uma pessoa pobre e doente merecia o mesmo cuidado que uma rica.
Dulce Lopes Pontes nasceu em 1914 naquela mesma cidade. Aos 13 anos, depois de visitar um bairro pobre com sua tia, decidiu que aquela seria sua vida: cuidar daqueles de quem ninguém mais queria cuidar.

O que começou entre galinhas tornou-se o Hospital Santo Antônio em 1959, inaugurado com 150 leitos. Ao longo dos anos, passou a receber até 3.000 pacientes por dia. Hoje, sob o nome Obras Sociais Irmã Dulce, continua a atender multidões que chegam de todo o Brasil.
Em 1988, foi candidata ao Prêmio Nobel da Paz. Encontrou-se com o Papa João Paulo II mais de uma vez.
Morreu em 13 de março de 1992, na mesma cidade onde havia começado com um galinheiro emprestado.

Em 13 de outubro de 2019, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco a declarou santa. A primeira pessoa nascida no Brasil a ser declarada santa.
Ninguém mede um começo pelo lugar onde ele acontece. Mede por quem decide não desistir ali.
