UMA IMAGEM QUE NOS LEMBRA: TODOS TEMOS O DIREITO DE DEIXAR O PASSADO PARA TRÁS

Por Diego Aguirre
15 September, 2026

Leandro de Souza tinha 13 anos quando fez sua primeira tatuagem. Nunca parou. Acabou cobrindo 95% do corpo, incluindo o rosto, com mais de 170 desenhos. Foi coroado o homem mais tatuado do Brasil.



Por trás da tinta havia nove anos de escuridão. Cocaína, ecstasy, LSD, álcool, um divórcio que o afundou. Cada tatuagem era outra camada de armadura sobre uma dor que não podia ser vista.

A saída não veio de um médico ou de uma clínica de luxo. Veio de um abrigo municipal em Bagé, onde uma mulher chamada Taís o convidou para ir a uma igreja. Quinze dias depois, ele foi batizado.

Foi aí que começou a parte mais difícil: apagar a si mesmo. Não porque tivesse vergonha de quem havia sido, mas porque queria uma pele que não o fizesse lembrar da guerra que havia vencido. Ele começou sessões de laser em um estúdio em São Paulo, que as oferece gratuitamente.



«A dor é horrível», disse. Dói mais do que fazer uma tatuagem, mesmo com anestesia. Ele já passou por cinco sessões. Pode haver oito no total. Cada uma é uma decisão renovada: continuar.

Hoje, ele tem um emprego formal. Disse que devolveram sua dignidade. Ninguém lhe deu uma vida nova: ele está lutando por ela com o laser, sessão após sessão, até que reste apenas a pele que escolheu ter.

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