Kim Wall tinha 30 anos e vinha tentando conseguir aquela entrevista havia meses.
Em 10 de agosto de 2017, ela embarcou no UC3 Nautilus, o maior submarino caseiro do mundo, construído pelo inventor dinamarquês Peter Madsen. Seu companheiro observou os dois zarparem do porto de Copenhague ao pôr do sol. Na manhã seguinte, o submarino retornou sozinho, com Madsen a bordo, e ele disse à polícia que a havia deixado no cais, sã e salva, horas antes.

Mais tarde, o Nautilus foi deliberadamente afundado. Madsen mudou sua versão duas vezes. Primeiro, falou de um acidente envolvendo uma escotilha pesada; depois, de envenenamento por monóxido de carbono. Em 21 de agosto, um transeunte encontrou um torso preso ao fundo com metal na baía de Køge. Era Kim Wall. Sua cabeça, suas pernas e suas roupas apareceram semanas depois, em sacos que haviam sido deliberadamente afundados.

Madsen foi condenado à prisão perpétua em 2018 por homicídio, agressão sexual e desmembramento. Ele nunca explicou de forma coerente o que aconteceu debaixo d’água. Kim Wall havia feito reportagens no Haiti, na Coreia do Norte e nas Ilhas Marshall, e morreu em uma missão jornalística a quarenta minutos de sua casa.

