Uma mulher trans de 37 anos em Amsterdã conseguiu produzir leite para seu bebê usando o sêmen que havia congelado 13 anos antes

Por Josefina Reyes
5 September, 2026

Ela tinha 37 anos e um plano traçado 13 anos antes.

Antes de iniciar a terapia hormonal de afirmação de gênero, essa mulher trans, atendida no centro de disforia de gênero de Amsterdã, decidiu criopreservar seu sêmen. Ela não sabia quando, mas queria se tornar mãe algum dia. Em 2020, esse futuro chegou: sua parceira, uma mulher cisgênero, engravidou por meio de injeção intracitoplasmática de espermatozoides usando aquele sêmen, que havia sido armazenado por mais de uma década.

O que veio a seguir foi um experimento médico no próprio corpo. Uma equipe administrou a ela um regime hormonal que imitava a gravidez — estradiol, progesterona e domperidona como galactagogo — para enganar seu corpo e ativar a produção de leite. Um mês antes do nascimento, reduziram as doses para simular o parto e aumentaram a frequência da extração de leite. O leite começou a sair, embora em pequena quantidade. Foi suficiente apenas para a alimentação suplementar, e duas semanas após o nascimento tiveram de interromper o processo porque o bebê apresentava problemas para sugar. Os médicos concluíram que o verdadeiro valor não estava na quantidade, mas no vínculo que aquele corpo transformado conseguiu criar com a criança.

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