«Ninguém mais iria dizer nada.» Foi isso que pensou uma passageira de um ônibus alimentador de Bogotá quando decidiu romper o silêncio que geralmente protege os assediadores no transporte público.
Diante dos outros passageiros, ela apontou diretamente o homem que a havia assediado e não lhe deu a chance de descer como se nada tivesse acontecido.


A reação dela foi registrada e agora circula nas redes sociais, onde centenas de mulheres dizem ter passado por algo semelhante e nunca encontrado coragem —ou o apoio— para agir daquela maneira.
Em Bogotá, este não é um caso isolado. Em agosto de 2025, Helena Cadena, de 22 anos, relatou que havia sido tocada por um menor de idade em um ônibus alimentador da rota 10-8.

Um ano depois, outra jovem identificada como Marcela Almanza expôs publicamente um caso semelhante que testemunhou no TransMilenio, denunciando a indiferença do motorista e dos outros passageiros.

O padrão se repete: lotação, anonimato e silêncio.
A pergunta que persiste é simples e desconfortável: quantas vezes isso precisa acontecer antes que o sistema de transporte deixe de ser um lugar onde o assédio parece quase garantido?
