Yayoi Kusama morreu aos 97 anos após seis décadas vivendo com alucinações e uma profunda aversão ao sexo que sua mãe lhe incutiu na infância

Por Alexander López
27 August, 2026

Yayoi Kusama via bolinhas antes de saber o que eram.

Ela tinha dez anos quando as alucinações começaram: manchas que cobriam paredes, mesas e o corpo de sua mãe.

Em vez de se esconder delas, começou a pintá-las. Aquela mulher, a mesma que a espancava e a obrigava a espionar seu pai infiel, mais tarde destruiria suas pinturas. Kusama continuou pintando bolinhas.

Em 1990, internou-se voluntariamente em um hospital psiquiátrico em Tóquio, onde viveu pelo resto da vida, atravessando a rua todas as manhãs até um estúdio onde continuou trabalhando.

Foi ali que nasceram suas abóboras gigantes e salas de espelhos do infinito, que milhões de pessoas fizeram fila para ver sem saber que estavam entrando na mente de uma mulher que passara noventa anos tentando dar forma ao próprio horror.

Ela morreu em 14 de agosto de 2026, aos 97 anos, em um hospital de Tóquio. Sua fundação confirmou a notícia treze dias depois. Nunca revelou a causa. Segundo a fundação, ela pintou até o fim.

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